ENTREVISTA - Aysha AlméeRealizada em Março / 2009





Aysha Almeé, natural de São Paulo/SP, formou-se em 1991 em ballet clássico pela Escola Municipal de Bailados (SP). Iniciou seus estudos em Dança do Ventre em 1993, na Casa de Chá Khan el Khalili (SP), onde compõe o grupo atual de bailarinas “Noites do Harém”, formado pelas melhores e mais qualificadas bailarinas do país. Teve como principais professoras as bailarinas Lulu Sabongi, Laila Blummer, Soraya Zayed, Fátima Fontes, Jade el Jabel e Marlene Matos (dança cigana). Participou de cursos e workshops de Dança Oriental com diversos profissionais de renome internacional, tais como as bailarinas Amany (libanesa), Meliah (americana), Sâmara (libanesa) com o percussionista Setrak, as bailarinas egípcias, Souhair Zaki Aida Nour, Dina, Randa Kamel, Raquia Hassam, Farida Fahmy, além dos professores egípcios Shokry Mohamed, Sammy Khoury, Ibrahim Akef, Mahmoud Reda, Ahmad Fekry e Gamal Seif. Apresentou-se em diversos clubes, hotéis, feiras e empresas, além de diversos programas de TV, tais como Programa Livre, Hebe Camargo, Note & Anote, Fábio Júnior, Super Pop, Raul Gil, Gugu, Olga Bongiobani, Siang, Mulheres, Vídeo Show, MTV, novela “O Clone”, jornal SPTV, dentre outros.Já se apresentou internacionalmente nos Emirados Árabes, Grécia, Punta del Este (Uruguai), Cairo (Egito) e Fátima (Portugal). Atualmente ministra aulas de Dança do Ventre na Cia das Artes (no bairro do Morumbi/SP), na Shangrilá (Nova Escola de Dança de Lulu Sabongi/SP) e no Estúdio de Dança Munira Magharib (SP), além de ministrar aulas particulares, cursos e workshops por todo Brasil. Apresenta-se também em bares e restaurantes em São Paulo, tais como Alibabar e Maavah. Aysha Almeé é, sem duvida, uma bailarina clássica com extrema sensibilidade artística, que encanta a todos não somente com sua técnica apurada, mas também com seu carisma, suavidade, elegância ímpar e imensa presença de palco.

Entrevista Aysha Almée

Aysha, primeiramente gostaria de agradecer pela entrevista concedida ao nosso site e dizer que é uma grande honra poder tê-la conosco nesse bloco de entrevistas.

Thaty Libbah: Explique um pouco como surgiu seu nome artístico e qual seu significado.

Aysha Almée: Aysha significa “vida, cheia de vida”. Almeé, segundo Wendy Bonaventura, no seu livro “Serpentes do Nilo” significa “de Maat”, dançarinas de Maat, a Deusa Egípcia da Justiça. No Egito, foi sinônimo de bailarina.

Thaty Libbah: O que te motivou a abandonar a carreira de advogada para se dedicar integralmente à dança do ventre? Conte-nos um pouco desse período de transição.

Aysha Almée: Foi muito natural, fui seguindo o que gostava e tinha talento e as portas foram se abrindo. O resto, veio em conseqüência.

Thaty Libbah: Qual é o estilo de dança que você mais se identifica, e qual a bailarina mais completa em sua opinião?

Aysha Almée: Na dança do ventre, o estilo Egípcio, adoro Naima Akef, Samia Gamal e Fifi Abdo. Das modernas, Ramda Kamel.  Também me identifico muito com folclore, especialmente balady, saaidi e gawazzy.

Thaty Libbah: O que você acha da ocidentalização da Dança do Ventre em termos de inovação ou regionalização de estilos próprios? Se possível, comente a respeito da polêmica gerada há alguns anos atrás com a sua roupa de aranha.

Aysha Almée: Quando estamos falando de dança do ventre, devemos lembrar que ela já está no palco (ou seja, não é mais folclore). Inclusive, em diversos países, com figurinos que seguem as tendências e modismos (hoje no Egito tem bailarinas com mini-saias, roupas de onça, jeans, roupas com pouco bordado, etc.), ou seja, há espaço para criação de cada uma. Tudo se modifica, porque as pessoas se modificam de acordo com sua época. A mulher de 30 anos atrás não é a mesma mulher de hoje. Porém, modernização não significa descaracterização. Não tenho como dançar dança árabe com passo de frevo. Se isso acontecer, fica no âmbito de “performance” e não dança do ventre tradicional, o que também é possível. Agora, quando se trata de dança folclórica, aí sim, acredito que devemos respeitar os costumes e regionalismos das danças estudadas, sermos bem ortodoxas. Mas não dá pra ignorar que até aí as coisas se modernizam, como por exemplo, o Khalige (dança do Golfo Pérsico), antes era dançada com batas longas, hoje não é mais.

Bom senso é a medida para tudo. No mais, Adeus Dinossauros! (risos).

Sobre minha roupa de aranha, foi uma criação minha, era um macacão de tela em formato de “teias de aranha” que ia por baixo do figurino normal, cobrindo barriga, braços e pernas. Teve gente que amou a criação, teve gente que odiou, sem meio-termo (risos). Talvez hoje, com tantos figurinos criativos, não causasse nem metade da polêmica de seis anos atrás.

Thaty Libbah: Agora falando um pouco da Aysha como professora. Você tem como característica marcante uma didática inovadora e criativa. Fale um pouco do seu estilo peculiar de ensinar a dança do ventre.

Aysha Almée: Dar aula é uma atividade que me encanta. Além da maravilhosa troca, observar a evolução das aprendizes é muito prazeroso. Muda, de verdade, minha vida, observar a transposição de barreiras. E por várias vezes tenho a certeza de que não há nada entre o aspirante e seu objetivo. E como dizia Platão, é um convite a estar “no caminho de tornar-se ser humano obra-de-arte”. Não sei falar do meu estilo de ensinar. Ensino o que acredito. 

Thaty Libbah: Que tipo de inspiração você procura para enriquecer a sua criatividade artística? Nesse aspecto, de que forma a escritora Gabrielle Roth influenciou a sua dança?

Aysha Almée: Gabrielle Roth é diretora de teatro e bailarina. Trabalha através de sensações, e esse foi um caminho que funcionou para mim.  “Caminhar como quem sente e sentir como quem caminha” me ajudou a ter uma dança mais criativa e prazerosa. Convido todas as bailarinas a ler “Os ritmos da alma” desta autora.

Thaty Libbah: Qual a dica que você daria para uma bailarina que deseja se profissionalizar na dança do ventre?

Aysha Almée: Estudo, disciplina, técnica, noção de belo e depois esquecer de tudo isso quando entrar em cena (risos).

Thaty Libbah: Qual seria para você o limite entre a sensualidade e a vulgarização na Dança do Ventre?

Aysha Almée: Não sei (risos). Sensual é sensorial, que desperta os sentidos, alegria e prazer de ver uma manifestação artística. Vulgar é sem talento ou medíocre ou comum, são tão diferentes como um melão é melão, e um abacaxi é abacaxi (risos). Honestamente, não sei. A pessoa vulgar é medíocre em todas as suas áreas, falando, andando, inclusive dançando.  Não ligo isso a Dança do Ventre, e sim a pessoa.

Thaty Libbah: O que você acha da presença masculina na Dança do Ventre?

Aysha Almée: Quando um homem decide se apresentar com dança do ventre (que é feminina em sua essência) ele deve deixar claro que é um ator, e ator não tem sexo.  Existem muitos homens que são coreógrafos e professores de dança do ventre nos países árabes, porém, nas suas performances, dançam apenas dança folclórica masculina e usam roupas masculinas, e não a de duas peças (cinto e sutiã) como as mulheres. 

Thaty Libbah: Qual foi o momento mais emocionante da sua carreira?

Aysha Almée: Quando fui trabalhar nos países árabes.

Thaty Libbah: Finalizando nosso bate papo, agradeço mais uma vez a sua gentileza de participar dessa entrevista e de compartilhar um pouco da sua experiência de bailarina com todas nós. Fique a vontade pra acrescentar algo que ache importante. Um grande abraço e continue cada vez mais tendo sucesso na sua carreira.

Aysha Almée: Agradeço a oportunidade deste bate papo, e que Manaus aproveite Thaty Libbah, uma bailarina de grande profissionalismo, disciplina e dedicação à dança!

Grande Beijo a todas e boas Danças!

Maiores informações sobre a bailarina Aysha Almée, acesse o site:

http://www.ayshaalmee.com/



Esta entrevista foi publicada na Central da Dança do Ventre



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