ENTREVISTA - Lulu SabongiRealizada em Set/2010.





Lulu Sabongi, natural de São Paulo, iniciou seus estudos em dança do ventre em 1983, com a pioneira da dança do ventre no Brasil, Madeleine Iskandarian (Shahrazad), natural da Armênia. Em 1985, fez suas primeiras apresentações na casa de chá egípcia Khan el Khalili, mesmo ano de seu casamento, permanecendo por 21 anos a frente do ensino e da qualidade artística da casa. Em 1990 iniciou sua carreira como professora, dentro da Khan el Khalili, sendo a principal responsável pelo nascimento de uma das escolas mais tradicionais do país. Em seguida criou a empresa Lulu Sabongi Eventos, desde então caminhando em parceria com a empresa Khan el Khalili egypt.

Em 1992 fez sua primeira viagem aos USA, tendo aulas com Ibrahim Farah e Anahid Sofien. Em 1993, realizou uma grande festa na Khan el Khalili em comemoração aos seus dez anos de dança, reunindo o maior público de pessoas interessados na dança até aquele momento (média de 400 pessoas). Ainda em 1993 protagonizou o primeiro vídeo didático de dança do ventre do Brasil. Em 1995 protagonizou o lançamento de mais 3 vídeos e em 1998, de uma coleção de 17 vídeos didáticos. Em 1998 fez sua primeira viagem ao Egito tendo aulas com Rakia Hassan, Shallaby, Mahmoud Redá. Nesse mesmo ano reuniu um público de aproximadamente 1300 pessoas para sua festa de comemoração de 15 anos de dança realizada no clube Syrio Libanês, em SP. Em 2000, juntamente com seu, até então, marido Jorge Sabongi, criou a Pré Seleção da Khan el Khalili, um processo seletivo, para alavancar a qualidade e homogeneidade da dança em todo o país.

A partir de 1999 até os dias atuais, iniciou um ciclo de trabalhos internacionais, ministrando cursos ou se apresentando em países, tais como: Argentina, Chile, Estados unidos, Canadá, Egito, Islândia, Noruega, Suécia, Dinamarca, Portugal, Espanha, Itália, Áustria, Alemanha, Suíça, França, República Checa, Japão, Eslovênia, Reino Unido, Irlanda, Grécia, Escócia, além, de todo território do Brasil. Durante toda sua trajetória, além dos nomes já mencionados, fez cursos com grandes personalidades da Dança Oriental, tais como Farida Fahmy, Morroco, Ghassan Fadlahlah, Amany, Dina, Aida Nour, Souhair Zaki, Mona Said, Najwa Fuad, Ibrahim Akef, Mr Farouk, Zaza Hassan, Ashraf Hassan, Hassan Afifi, Gamal Seif (atual sócio e parceiro de eventos), Khaled Seif, Momo Kadouss, Shokry Mohamed, Mohamed Shahin, Hussein, Mo Gedawi, Newen Ramez, Freizz, Ahmed Fekri, Yousri Sharif, Mohamed Kazafy, Khaled Mahmoud, Randa Kamel, Lucy e Sahara Saeda.

Em 2003, em comemoração aos seus 20 anos de atuação em dança, realizou o maior evento artístico envolvendo a arte da dança do ventre no Brasil, com a atuação de mais de 400 bailarinas e uma platéia de aproximadamente 1600 pessoas no Memorial da América Latina (SP), culminando com a gravação de um DVD, a disposição desde então. Em 2004 foi convidada como professora do Ahlan wa Sahlan, Festival tradicional do Egito.

Em 2008, desvinculou-se profissionalmente da Khan el Khalili e fundou a Shangrila House, sua mais nova escola de dança, para onde transferiu sua empresa Lulu Sabongi Eventos. Atualmente, com toda sua rotina de atividades artísticas, Lulu ainda é mãe de 4 filhos (Yasmin, Maya, Yani e mais recentemente Eva). Sem sombra de dúvidas Lulu Sabongi representa um marco da dança oriental no ocidente, com reconhecimento internacional. Após 27 anos de amadurecimento artístico, Lulu representa um exemplo incontestável de contribuição a dança do ventre, tanto pela sua dedicação como pelo seu talento profissional. Essa mulher é, sem dúvida, um espelho inquebrável que reflete a essência do que representa a “Arte viva da Dança do Ventre”, seja no pensar, no sentir ou no expressar.


ENTREVISTA LULU SABONGI

Lulu, primeiramente gostaria de expressar minha enorme satisfação em poder entrevistá-la e agradecer pela oportunidade de compartilhar suas idéias e sua valiosa experiência conosco.

Thaty Libbah: Em algum momento da sua vida, você chegou a trabalhar em outra atividade que não estivesse relacionada à dança do ventre? Gostaria de ter tido alguma atividade paralela?
Lulu Sabongi: Eu nunca fiz nada diferente em toda a minha vida. Me interessei por fotografia, estudei revelação, tive até mesmo meu próprio laboratório preto e branco. Também estudei canto lírico por um tempo, mas profissionalmente só mesmo a dança oriental.

Thaty Libbah: Com toda sua história de carreira profissional, você se sente plenamente realizada? Ou ainda tem algum sonho a realizar?
Lulu Sabongi: Tenho sonhos sim, quem não tem? Ano que vem tenho interesse em realizar o primeiro workshop internacional reunindo dois dos maiores professores que já encontrei em nossa área: Gamal e Khaled Seif. Também quero escrever meu livro e falar árabe fluentemente um dia. Então, a listinha não é tão pequena assim...

Thaty Libbah: Que benefícios concretos e subjetivos a Dança do Ventre trouxe para a sua vida?
Lulu Sabongi: Concretos: uma ligação real com meu corpo e a necessidade de compreender meus limites e também descobrir a forma de superá-los. Subjetivos: uma construção delicada da minha auto-estima, aprender a receber elogios e aceitar os mesmos como sendo de direito. Descobrir- me enquanto um ser expressivo e saber que posso me comunicar pela dança, além de fazer o mesmo com as palavras

Thaty Libbah: Qual a sua principal filosofia em relação à Dança do ventre?
Lulu Sabongi: Estudar, compreender, assimilar o que posso relacionado à esta arte...

Thaty Libbah: Qual foi o workshop mais proveitoso que você já ministrou? Qual era o tema?
Lulu Sabongi: Essa pergunta é difícil. Acho que a experiência mais rica foi o contato com as bailarinas japonesas. Elas me ensinaram o que é gratidão e respeito.

Thaty Libbah: Com que freqüência uma aluna precisa estudar para evoluir na dança e com que freqüência uma bailarina profissional precisa estudar para não “estagnar” ou “enferrujar”?
Lulu Sabongi: Uma aluna precisa praticar por volta de 5 horas, no mínimo, por semana para construir seu caminho. Uma profissional nunca pode deixar de estudar em todas as suas possibilidades de tempo livre ou workshops internacionais que possam lhe trazer algo de positivo. Até mesmo caminhos didáticos distintos são um grande aporte.

Thaty Libbah: Conte-nos, se houver, um momento engraçado da sua carreira.
Lulu Sabongi: Quando me levaram para um curso em Tukuman, no norte da Argentina, e me esqueceram no aeroporto, em Buenos Aires, no dia nacional de greve dos pilotos. Demorei 28 horas numa viagem que deveria durar apenas 6. Não queria me separar das malas e sair do ponto de encontro para que não me perdessem, mas estava desesperada para ir ao toilette. Foi bem difícil, mas a cena vista hoje me lembra uma comédia, pois eu estava perdida muito perto de casa, apertada e muito pesada com tanta bagagem...são aqueles dias em que pensamos que nada mais pode acontecer, mas...acontece!!!

Thaty Libbah: Certa ocasião em uma aula, você comentou a respeito de como surgiu esse seu olhar característico (praticamente olhos que falam). Poderia nos falar melhor sobre ele?
Lulu Sabongi: Eu acho que me encontro dentro de mim mesma ao dançar, mas sempre falo dos olhos da minha professora, que pareciam soltar fogo, quando ela os pousava em alguém. Sempre tive medo de provocar a mesma reação, então acredito que essa expressão toda que me remetem vem da minha introspecção e não da tentativa de comunicação externa através deles.

Thaty Libbah: Nunca esqueci seu comentário, também em aula, falando sobre a santíssima trindade da dança do ventre (risos). Você lembra? Você teria mais alguma coisa a acrescentar sobre isso?
Lulu Sabongi: Agora você me pegou! Lembro de duas coisas que eu dizia com freqüência. Das três mulheres que vivem dentro de nós: a anciã, a mulher e a menina, e que cada uma delas se expressa em nossa dança; e outra analogia que eu já fiz versava sobre compreender, racionalizar e sentir fisicamente os movimentos para poder então liberar a expressão propriamente!

Thaty Libbah: Certa vez li seu texto na internet sobre as fases da dança do ventre. Você particularmente, já passou por alguma daquelas mencionadas?
Lulu Sabongi: A única fase pela qual eu passo regularmente é aquela em que quero desistir... mas sempre algo muito bom acontece me colocando de volta na trilha uma vez mais!

Thaty Libbah: Como está sendo a experiência de gerenciar a Shangrilá? Isso fez diminuir sua disponibilidade para aulas, workshops e shows?
Lulu Sabongi: Estou trabalhando mais do que nunca graças à possibilidade de ter uma equipe comigo que faz toda da diferença. Não sou uma boa mulher de negócios, então vejo Shangrila como um sonho que virou real, mas é muito mais um projeto do coração do que um projeto empresarial. Nunca vou recuperar o que investi para ter este espaço, mas ele é a personificação do que desejei por muitos anos e agora está à disposição de todas as bailarinas que queiram um belo lugar, com uma energia deliciosa, dedicado a nós mulheres malucas deste mundo. Então, estou satisfeita por ter feito a loucura!!

Thaty Libbah: Como você consegue conciliar suas atividades diárias com sua nova bebê Eva?
Lulu Sabongi: Meu marido é um pai incrível e pode ser mãe muitas vezes, quando não estou por lá. Tenho também um anjo que se chama Didi e ela é como se fosse a segunda mãe de meus filhos. A ela devo minha possibilidade de viajar, pois sempre esteve por perto quando eu não estava. É sempre um stress, mas sempre dá certo.

Thaty Libbah: Em relação à polêmica da sua despedida da Khan el Khalili, muitas bailarinas se emocionaram com seu depoimento na noites do harém postado no youtube. Após esse episódio, como está a Lulu Sabongi de 2010?
Lulu Sabongi: Mais madura, menos dolorida e mais crescida internamente.

Thaty Libbah: Como surgiu a idéia de criar o selo de padrão de qualidade Lulu Sabongi?
Lulu Sabongi: Veio pelos pedidos que recebi. Eu não tinha intenção de abrir algo assim, mesmo porque imaginei que o mercado de dança estava satisfeito com o projeto de meu antigo sócio e, portanto, não se interessariam por algo que pensasse exclusivamente em qualidade e que não fosse uma garantia de vitrine para shows. Fui surpreendida pela chance de oferecer o que sempre quis para um público muito específico que busca a dança em primeiro lugar. O sistema de selo vai sobreviver enquanto houver outras sonhadoras e fico feliz com isso.

Thaty Libbah: Finalizando nossa conversa, agradeço mais uma vez a sua gentileza de conceder essa entrevista e de compartilhar um pouco da sua experiência de vida. Fique a vontade para acrescentar algo que ache importante. Um grande abraço e continue sendo essa pessoa de sucesso, de postura profissional impecável e de ética. Meu sincero respeito e admiração eterna.
Lulu Sabongi: Taty, Penso que a única coisa que posso acrescentar é o meu agradecimento por seu pedido e a oportunidade de falar um pouco sobre a dança mais uma vez. Desejo ter a energia para continuar meu caminho e ainda compartilhar por muito tempo o que sei e o que aprendo com outras mulheres.

Beijos
Lulu

Maiores informações:
www.lulusabongi.com
http://www.shangrilahouse.com.br/
Shangrila House
Rua Gaspar Lourenço, 25
Vila Mariana, São Paulo - SP
(11) 5539-5092

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